Quem sou eu

SÃO LUÍS, MARANHÃO, Brazil

sexta-feira, 14 de março de 2025

ENTREVISTA com o escritor JOSUÉ MONTELLO [1977]

Descubra um pouco da riqueza da literatura brasileira nesta rara entrevista de 1977 com o escritor maranhense Josué Montello.

Autor de obras marcantes como "Os Tambores de São Luís", Montello compartilha aqui suas reflexões sobre a escrita e a cultura nacional.

O vídeo que reproduzo no canal Hipertexto com Rogério Rocha é um mergulho na mente do grande escritor e faz parte dos registros do Arquivo Nacional e do site Memória Audiovisual Brasileira.
#JosuéMontello #arquivonacional #mestresdaliteratura

 

segunda-feira, 6 de janeiro de 2025

"MAS VIVEREMOS" (poema de Carlos Drummond de Andrade por Rogério Rocha)

O anel de Giges e o 'Um anel': a invisibilidade e a corrupção da alma

Fonte: Chat GPT



Por Rogério Rocha



Platão, em sua clássica obra "A República", nos apresenta ao mito do anel de Giges, uma joia capaz de dar ao seu portador a habilidade de se tornar invisível. Com essa passagem, o filósofo nos provoca a refletir o seguinte: será que, ao ocultar dos olhos alheios seus atos e comportamentos, uma pessoa conseguiria manter uma postura ética? 


Já em "O senhor dos anéis", do escritor J.R.R. Tolkien, encontramos o 'Um anel', objeto cobiçado e que oferece imenso poder a quem o detém, mas que, por outro lado, corrompe seus portadores, revelando neles os desejos mais abjetos.


Esses dois anéis, famosos pelas funções que desempenham nos livros citados, acabam por tratar do mesmo dilema: o poder absoluto sobre o outro — ou sobre si mesmo — pode nos mostrar quem realmente somos. De igual modo, ambos representam a força da tentação e a fragilidade humana diante da ausência de limites e controle.


O anel de Giges confronta a ética e a justiça como escolhas conscientes, enquanto o 'Um anel' de Sauron simboliza a destruição do caráter pelo desejo insaciável de poder. Portanto, a existência desses artefatos serve para levantar a mesma questão de fundo: quem seríamos se ninguém pudesse nos ver agir ou obstaculizar os desejos que impulsionam nossos comportamentos?


Tanto Platão quanto Tolkien parecem sugerir que o nosso maior desafio está em resistir à corrupção e fazer o que é certo, praticando o bem, mesmo quando ninguém está observando. Afinal, a maior prova de caráter de um indivíduo perante a sociedade talvez seja justamente a de resistir à tentação de usar um poder capaz de levá-lo à ruína.


E você, como reagiria se tivesse um desses anéis em suas mãos?

domingo, 29 de dezembro de 2024

Tradução Poética: diálogo com Auster e Borges

 

A tradução de poesia é uma arte complexa que exige não apenas um domínio técnico do idioma, mas também sensibilidade para recriar o ritmo, a musicalidade e as imagens do poema original. 

No mais recente exercício de tradução, eu e o poeta Arthur Prazeres mergulhamos nas profundezas das produções de dois gigantes da literatura mundial: Paul Auster e Jorge Luis Borges.

Nosso trabalho com Paul Auster focou em três diferentes versões de seus versos, explorando as nuances que cada escolha tradutória traz à sua poética. Já com Borges, analisamos e recriamos duas versões de seu poema "Inscripción sepulcral". 

Os textos aqui traduzidos, é bom ressaltar, revelaram-se um desafio e um aprendizado inestimável.

A proposta, portanto, não é apenas apresentar versões, mas compartilhar o processo criativo e reflexivo que envolve a tradução. Afinal, quais ecos do original ressoam em cada versão? Que novas interpretações nascem ao recriarmos imagens e sons em outro idioma?

Convidamos você a ler, comentar e refletir conosco. Qual versão mais se aproxima do espírito do original? Que escolhas poderiam ser diferentes? 

Deixe sua opinião e participe deste diálogo poético nos comentários. Vamos construir juntos um espaço para celebrar a literatura e os desafios da tradução.

 

 

878 fotos e imagens de alta resolução de Paul Auster - Getty Images
Paul Auster [Fonte Getty Images]


Ice – means nothing
Is miracle, if it must
Be what will – you are the means
And the wound – opening
Out of ice, and the cadence through
Blunt Earth, when crows
Come to maraud, Whrever you walk, green
Speaks into you, and holds. Silence
Stands the winter eye to eye
With spring.

 

351 Argentine Jorge Luis Borges Stock Photos, High-Res Pictures, and Images  - Getty Images
Jorge Luis Borges


Inscripción sepulcral

Para mi bisabuelo, el colonel Isidoro Suárez


Dilató su valor sobre los Andes.
Contrastó montañas y ejércitos.
La audacia fue costumbre de su espada.
Impuso en la llanura de Junín
término venturoso a la batalla
y a las lanzas del Perú dio sangre española.
Escribió su censo de hazañas
en prosa rígida como clarines belísonos.
Eligió el honroso destierro.
Ahora es un poco de ceniza y de gloria.

 

TRADUÇÕES POÉTICAS: AUSTER E BORGES


Rogério Rocha

 

Poema de Paul Auster

[Versão 1]


Gelo – nada é por acaso
Se as coisas seguem seu rumo –
És sentido e ferida – aberta
Sobre o gelo, e a cadência pela
Terra bruta, quando os corvos
A vêm saquear. Por onde quer que
Caminhes, o verde, que o envolve,
Também fala em ti. O silêncio põe
O inverno diante da primavera.


[Versão 2]


Gelo – é que nada
É milagre, se tiver de ser
O que será – és o sentido
E a chaga – aberta
Ao frio, e o balanço
Que avança a terra trêmula,
Quando os corvos pousam
Para brilhar. Onde quer
Que caminhes, o verdor
Reverbera em ti, e o abraça.
O silêncio põe face a face
O inverno e a primavera.


[Versão 3]

Gelo significa que nada
É milagre, se está escrito
Que será – dentre caminhos
E estigma – aberto no gelo,
E o equilíbrio sobre a terra
Cega, quando os corvos
Vêm pilhar. Por onde vás,
O verde fala em ti, e o abraça.
O silêncio coloca o inverno
Olhos nos olhos com a primavera.



Poema de Jorge Luis Borges

[Versão 1]

Inscrição Sepulcral
Para meu bisavô, o coronel Isidoro Suárez

Espraiou sua coragem sobre os Andes.
Desafiou montanhas e exércitos.
A ousadia estava inscrita em sua espada.
Na planície de Junín, fincou, vitorioso,
o desfecho da batalha,
sujando de sangue espanhol as lanças do Peru.
Cravou suas proezas
numa prosa grave como clarins em guerra.
Escolheu o exílio honrado.
Agora é um punhado de cinzas e glória.


[Versão 2]

Inscrição Funerária
Ao meu bisavô, coronel Isidoro Suárez

Estendeu seu valor como ponte sobre os Andes.
Confrontou montanhas e exércitos.
A espada era o hábito de sua audácia.
No campo de Junín, selou, triunfante,
o destino da batalha
e banhou em sangue espanhol as lanças peruanas.
Redigiu seus feitos heroicos
numa prosa firme como trombetas de combate.
Preferiu o digno exílio.
Hoje, é resto de cinza e de glória.




Arthur Prazeres

 

Poema de Paul Auster

[Versão 1] 


Gelo — diz-nos nada
É milagre, há de ser
Só o que será — és os plurais
E a lepra — abrindo-se
Em gelo, e através a cadência, pancada da terra, quando corvos
Nos vêm saquear. Por onde caminhes, o verde fala você, por dentro, sustentando-te. Silêncio que estende o inverno, olho a olho,
A desafiar a primavera.
 

[Versão 2]

 

Gelo — significa: nada
É milagre, e o mais
Será como vier — és múltipla como a chaga — quebrando 0 gelo, em cadência própria, Torva terra, quando corvos
Vêm nos fraudar. Aonde quer que caminhes, o verde expressa você, como vértebra. Silêncio
Que abala como o inverno: olho a olho com a primavera.
 

 [Versão 3]

 

Gelo — quer dizer: nada
É milagre, contudo
Será o que há de ser — és vozes
E chagas — florindo
Como o gelo, através da cadência
De morta terra, quando corvos
Nos vêm pilhar. Por onde pises, o verde
Cantará você, ternamente. Silêncio que sustenta o inverno, olho a olho com a primavera.


Poema de Jorge Luis Borges

[Versão 1]


Difundiu seu brio sobre os Andes.

Escalou montanhas e desertos.

Retalhar a ferro foi costume de sua espada.

Impôs nas planícies de Junín

Um final venturoso à batalha

Em que às lanças do Peru deu sangue espanhol.

Escreveu com gana suas façanhas,

Em prosa dura como clarins de guerra.

Escolheu o honroso exílio.

Agora é um punhado de cinzas e glória.


[Versão 2]


Propagou seu valor sobre os Andes.

Subiu montanhas; formou exércitos.

A audácia foi costume de sua espada.

Impôs às terras de Junín

Uma batalha de feliz desfecho,

Às lanças do Peru dando sangue espanhol.

À pena seu senso de façanhas

Escreveu: prosa rígida como bélicos clarins.

Elegeu o honroso desterro.

Agora é como as cinzas e a glória.





domingo, 22 de dezembro de 2024

Entrevista Exclusiva com Ronaldo Costa Fernandes – Vida, Obra e Reflexões Inéditas! [Parte 1]

🎥 Entrevista Exclusiva com Ronaldo Costa Fernandes – Vida, Obra e Reflexões Inéditas! [Parte 1] Neste episódio especial do canal Hipertexto, recebemos o escritor Ronaldo Costa Fernandes, um dos grandes nomes da literatura brasileira contemporânea. Autor de uma vasta obra que transita entre poesia, romance e crítica literária, Ronaldo compartilha sua trajetória, suas inspirações e seus processos criativos. Na primeira parte de uma conversa profunda e reveladora, ele aborda: ✨ Sua vida e carreira literária. 📚 Os bastidores de suas obras mais marcantes. 💡 Reflexões sobre o cenário literário atual e suas inquietações intelectuais. ❓ E mais! Responde a perguntas inéditas e surpreendentes, explorando temas que nunca havia discutido! Prepare-se para conhecer a mente e as ideias de um dos escritores mais talentosos do Brasil. Aqui veremos Ronaldo Costa Fernandes sob uma nova perspectiva! 📢 Deixe seu like, inscreva-se no canal e ative o sininho para não perder nenhum conteúdo literário exclusivo. #RonaldoCostaFernandes #LiteraturaBrasileira #Hipertexto #EntrevistaExclusiva #Cultura #Poesia #Romance 👉 Assista agora e embarque nessa conversa fascinante!

terça-feira, 17 de dezembro de 2024

E se o Nordeste fosse retirado da geografia do Brasil?


 

por Rogério Rocha

 
 
Imaginar o Brasil sem o Nordeste é um exercício complexo se levarmos em conta a grandeza da contribuição da região para a identidade nacional. 
 
Ao longo dos séculos, a área geográfica tem sido um centro vibrante de produção cultural, intelectual e política em nosso país, moldando de forma significativa os contornos do que chamamos de "brasilidade". 
 
Se, num experimento hipotético, excluíssemos o território nordestino e seu patrimônio cultural da história brasileira, o país não só perderia figuras emblemáticas, mas também uma parcela decisiva de sua essência. 
 
Senão, vejamos!
 
Nas letras, a região ocupa um lugar de destaque, com autores que imortalizaram, em obras fundamentais, suas paisagens, dilemas e personagens. Seríamos privados da leitura de romances que traduzem a luta contra as adversidades e do rico imaginário simbólico.  
 
Se eliminássemos o Nordeste do nosso mapa e da nossa história, a literatura brasileira ficaria sem Rachel de Queiroz, Graciliano Ramos, José Lins do Rego, Josué Montello, Jorge Amado, Antônio Torres, Francisco J. C. Dantas e Ronaldo Costa Fernandes, apenas para citar alguns.
 
A produção poética também seria irremediavelmente empobrecida sem os versos de Castro Alves, Gonçalves Dias, Raimundo Correia, Sousândrade, Augusto dos Anjos, Nauro Machado, Salgado Maranhão, João Cabral de Melo Neto, Lêdo Ivo, Ferreira Gullar, Luís Augusto Cassas, Raimundo Fontenele e Viriato Gaspar, por exemplo.
 
No campo científico, a ausência das mentes nordestinas deixaria lacunas significativas. 
 
Nina Rodrigues, psiquiatra, médico legista e antropólogo maranhense, foi responsável pela introdução dos estudos da criminologia em nosso país. A baiana Ana Nery, que foi uma figura de destaque na história da enfermagem brasileira, contribuiu significativamente para o desenvolvimento da profissão. 
 
Na medicina, Nise da Silveira, alagoana de Maceió, revolucionou os tratamentos psiquiátricos com sua abordagem humanizada. No direito, Rui Barbosa, o notável baiano, foi influente como jurista e pensador político. Pelo brilho da inteligência e pela postura intelectual, ficou conhecido como o "Águia de Haia".
 
A história política do Brasil também ficaria desfigurada sem nomes como Joaquim Nabuco, um dos principais articuladores da abolição da escravatura, Barbosa Lima Sobrinho, Miguel Arraes, Eduardo Campos, Antônio Carlos Magalhães e Luiz Inácio Lula da Silva, pernambucano que alcançou a presidência pela terceira vez na história recente do país. 
 
Outros nomes como Deodoro da Fonseca, Floriano Peixoto, Epitácio Pessoa, Fernando Collor de Mello e José Sarney, também compõem uma lista de nordestinos famosos que chegaram à presidência da República.
 
A perda seria avassaladora também na música. Imaginem o cenário sem Luiz Gonzaga, o "Rei do Baião". Sem ele não teríamos gêneros brasileiríssimos como o forró e o xaxado, e a sanfona não teria se tornado um ícone nacional. 
 
Sem Dorival Caymmi, a música brasileira perderia canções que evocavam a magia das cidades à beira-mar. A bossa nova não teria o gênio de João Gilberto e a MPB empobreceria sem Belchior, Amelinha, Fagner, Maria Bethânia, Gilberto Gil e Caetano Veloso. 
 
Elba Ramalho, Alcione, Alceu Valença, Geraldo Azevedo, Xangai, Elomar, Chico Science, Zeca Baleiro e Chico César, expoentes da música brasileira, também desapareceriam do contexto. No rock, perderíamos Raul Seixas e Marcelo Nova, herdeiro do legado do Maluco Beleza.
 
No campo das artes visuais, sem Carybé, as telas que traduzem as belezas naturais e arquitetônicas da cultura baiana não existiriam. No cinema, a contribuição de Glauber Rocha e o movimento do Cinema Novo deixariam de influenciar gerações. A comédia não teria visto o gênio de mil faces chamado Chico Anysio. O teatro e a dramaturgia também estariam desfalcados sem as colaborações de artistas como Dias Gomes e Ariano Suassuna ou as atuações de José Wilker, Wagner Moura e Lázaro Ramos.
 
O futebol pentacampeão mundial perderia de vista craques da magnitude de Bebeto, Zagallo, Daniel Alves, Dida, Juninho Pernambucano, Edilson Capetinha, Rivaldo, Bobô, Hernanes, Givanildo, Jardel, Charles, Zé Maria, Júnior Capacete, Hulk, Canhoteiro, Jackson e França.
 
A culinária deixaria de experimentar o sabor de alimentos como o arroz de cuxá, o acarajé, a buchada de bode, o vatapá, a tapioca ou beiju, a carne de sol e o cuscuz, o baião de dois e o sarapatel, o bolo de rolo, a paçoca, a moqueca e o caruru. Não beberíamos a cajuína, a garapa, o maltado e o guaraná Jesus. Também ficaria de fora do deguste geral nosso maior símbolo etílico: a cachaça.
 
Retirar o Nordeste da história do Brasil significaria, portanto, subtrair boa parte da identidade nacional. 
 
A região não apenas fornece rica matéria-prima para a nossa cultura, mas inspira uma perspectiva singular em torno das condições humanas que definem um pouco do que somos. 
 
Sem o Nordeste o Brasil não seria apenas mais pobre; seria um país irreconhecível.

domingo, 20 de outubro de 2024

Prefácio de “Ornitorrinco”, de Theotonio Fonseca de Sousa

 

             Rogério Rocha [escritor e filósofo]

É com grande satisfação que apresento este prefácio sobre o livro “Ornitorrinco”, assinado pelo talentoso autor Theotonio Fonseca de Sousa. Como um estudioso da literatura, sinto-me no dever de destacar logo de saída: trata-se de obra singular e multidimensional.

Após uma breve leitura, percebe-se, sem muito esforço, que “Ornitorrinco” desafia qualquer categorização simplista. Sobretudo porque Theotonio Fonseca estrutura sua poesia através de uma escrita que se emaranha entre o barroco/neorrococó e o contemporâneo, o clássico e o moderno.

Fico com a impressão de que ele intenciona reorganizar o universo pela via particular da linguagem. Ou como diz em “Pacto fáustico”: “anseio pela silhueta do campo unificado[...]que traduza a plenitude da mente de Deus”.

Seus versos de muitas faces estão carregados de imagens impressionistas – para não dizer impressionantes – que oscilam entre o passado e o presente. Com eles o autor produz uma densa nuvem de sentidos na miscigenação de referências não só a outros poetas, mas às mitologias greco-romana, judaico-cristã, africana e dos nossos povos originários.

Essa fusão de influências termina por criar uma linguagem rica em simbolismos e texturas. Mediante utilização de temas e abordagens pouco comuns, Fonseca tinge de novas cores antigos e conhecidos pilares estéticos da poesia ocidental.

Antes de dar continuidade ao prefácio, necessito, entretanto, voltar ao título do novo livro. Afinal, é importante esclarecer o que seja um ornitorrinco.

O ornitorrinco é um mamífero encontrado na Austrália e Tasmânia. Da família da não menos esquisita equidna, esse animal interessante, conhecido por sua aparência estranha, nos remete às aberrações encontradas na natureza.

É um mamífero semiaquático que combina características de diferentes animais. Tem o bico de um pato, o corpo de uma lontra e a cauda semelhante à de um castor. Esse animal peculiar é um dos seres mais incomuns do mundo.

Nesse ponto, título e produção do livro convergem para sinalizar ao público a origem pouco convencional do estilo do autor, cuja poesia busca respaldo em imagens que justificariam denominá-la de uma poética ornitorrinca. Poética capaz de provocar alguns abalos theotônicos, diria o saudoso Carvalho Júnior.

O poeta não teme explorar os recantos mais profundos da simbólica universal. Ao conduzir-nos por um labirinto de expressões, ideias-força e terminologias pouco ortodoxas, encontramos ecos do esoterismo, ocultismo, magia e misticismo entrelaçados com passagens bíblicas e fragmentos do ideário do folclore brasileiro.

As religiões de matriz africana e a filosofia também deixam suas marcas, encontrando espaço nos poemas aqui apresentados. Convivem, assim, numa equação imprevisível, mas com efeitos bastante proveitosos.

A poética de Theotonio resulta em uma nova cosmogonia. Seus versos orbitam corpos celestes por vezes não identificados. Eles criam um catálogo de movimentos curiosos e desafiadores em um universo próprio. Características distintivas também presentes em seus livros anteriores.

Cada poema se configura, portanto, como uma constelação singular, e "Ornitorrinco" representa a galáxia que os acolhe. 

 



 
Este livro propõe ao leitor um desafio instigante: a exploração dessas dimensões e a descoberta dos enigmas embutidos na coreografia das palavras, conduzidas com maestria e conhecimento.

“Ornitorrinco” é, deste modo, a coroação da caminhada poética de Theotonio Fonseca. Com este livro, o poeta de Itapecuru-Mirim dá por concluída a sua missão dentro do gênero ao qual se dedicou apaixonadamente.

Demonstrando coerência com seus princípios, finaliza sua jornada com uma obra digna de representar a melhor síntese do que escreveu até hoje. Essa obra intrigante nos envolve com sua beleza, guiando-nos pelos mistérios de um universo peculiar ainda por ser explorado.

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