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sexta-feira, 24 de julho de 2026

VAR: as novas tecnologias e a crise de confiança na arbitragem

Imagem ilustrativa gerada por IA

Por Rogério Henrique Castro Rocha


A Copa do Mundo de  Futebol de 2026 foi rica em gols e polêmicas, principalmente em relação ao uso de novos recursos tecnológicos, entre os quais o famoso VAR (video assistant referee, ou árbitro assistente de vídeo, numa tradução livre). No torneio, foram empregados o impedimento semiautomático, a bola com sensor, o rastreamento tridimensional dos jogadores, além de múltiplas câmeras. A FIFA apresenta essas ferramentas como modos de obtenção de decisões mais rápidas e verificáveis. De fato, pesquisas indicam que o VAR eleva a taxa de acerto em lances decisivos: um estudo envolvendo competições de diversos países (SPITZ, WAGEMANS, MEMMERT, WILLIAMS, HELSEN, 2021, p. 147–153) detectou o aumento de 92,1% para 98,3% de acertos com a utilização do vídeo. Isso demonstra que a tecnologia pode diminuir erros, é verdade, mas nunca eliminá-los.

Desde o lançamento da ferramenta, percebi que, entre comentaristas e meios de comunicação, prevalece, em grande parte, a ideia da objetividade do sistema: uma crença fundada na suposta infalibilidade das imagens produzidas pelas métricas do vídeo-árbitro. Isso implica, no entendimento do senso comum, que aquilo que a máquina mostra é a realidade do lance, a verdade da dinâmica observada em certo instante do jogo. 

Ocorre, porém, que todas as métricas dessa parafernália tecnológica são operadas justamente pelo ser humano, aquele que realizará a validação do lance. Logo, imagens analisadas por programas específicos darão suporte às decisões dos árbitros. 

Apesar de todos esses detalhes e da limitação conhecida do ser humano, é legítimo sustentar a hipótese de que a arquitetura do VAR possui pontos vulneráveis. Esses pontos podem sofrer interferências devido à presença de múltiplos atores envolvidos no processo decisório. Esses atores incluem os demais assistentes na sala de operação do sistema, os técnicos em informática e a emissora responsável pela geração das imagens. 

Afinal, quem controla a revisão do lance pode escolher o ângulo da câmera, o enquadramento, o momento de início e término da jogada em discussão, a velocidade da reprodução do vídeo (se em câmera lenta ou velocidade normal) e o instante da falta ou pênalti, do suposto impedimento ou, por fim, de um gol mal anulado ou validado. Também pode decidir quais imagens serão encaminhadas ao árbitro de campo e quais permanecerão na cabine, sem serem exibidas na tela do VAR, dentro do campo de futebol. Isso nos permite perceber as variáveis envolvidas e o quão complexo é decidir numa situação como essa. Sobretudo diante da necessidade da construção urgente de uma narrativa visual supostamente válida que servirá de fundamento decisório para um acontecimento, ou seja, um fato objetivo.

Estamos diante de um caso de interpretação da interpretação, onde um indivíduo (o árbitro de campo) interpretou um acontecimento simultâneo, em fração de segundos, ocorrido à vista de seus olhos, dentro das regras específicas de um esporte (no caso, o futebol), e, com respaldo nelas, tomou uma decisão no transcorrer da partida. Em seguida, no calor dos acontecimentos, mas passado o fato gerador da decisão (marcação do juiz), outra(s) pessoa(s) resolvem questionar a validade daquele ato interpretativo, propondo, a partir do objeto ou acontecimento questionado, a possibilidade de uma nova interpretação que visa corrigir o erro da primeira. 

Hans Georg Gadamer (2008), em seu clássico "Verdade e método", trata a interpretação como uma fusão de horizontes (Horizontverschmelzung), no encontro dialógico (como uma conversa ou jogo) entre intérpretes. Esses intérpretes trazem um conjunto de pré-compreensões e pré-conceitos, formados numa época histórica, com seus valores, tradições e visões de mundo. Essa fusão de horizontes (o presente vivo do intérprete e o fato passado sobre o qual se discute) estabelece uma questão e exige uma resposta ativa, gerando, assim, um novo sentido sobre o acontecido, a fim de compreendê-lo. No caso em análise, o lance revisado receberá a correção necessária à justa aplicação da regra do jogo.

No campo da psicologia da percepção, estudos indicam que infrações exibidas em câmera lenta, por exemplo, tendem a ser consideradas mais graves. Portanto, embora a repetição da imagem televisiva indique o contato entre jogadores numa falta, também pode criar a falsa impressão de violência (ou deliberação) na conduta do jogador que a cometeu. A imagem reproduz um acontecimento sobre o qual o VAR oferecerá uma ou mais visões previamente selecionadas. Além desse aspecto, há também o da interpretação. Nesse caso, indivíduos sentados diante de monitores em uma cabine fechada, com pontos eletrônicos nos ouvidos, comunicam-se entre si e com o campo e emitem opiniões sobre o lance em revisão. Nesse momento, um árbitro com certa ascendência sobre o juiz da partida (por ser mais experiente ou ter mais status na categoria) poderia induzi-lo a admitir um erro que não aconteceu?

Se não, vejamos. Uma pesquisa publicada em 2025 (GARRETSEN, STOKER, JANKA, ALESSIE) destaca que as decisões do VAR continuam a depender de três fatores: a interação humana, a pressão e a dinâmica hierárquica entre os envolvidos. Ao ser chamado ao monitor, o juiz é informado por alguém que reviu o lance e entendeu que sua decisão talvez mereça reconsideração. O árbitro de campo possui, em tese, a autoridade para definir com base em sua convicção. No entanto, é inegável que ele pode sentir-se pressionado a concordar com a recomendação da cabine. Some-se a isso o viés decisório das posturas adotadas pelos condutores das partidas, que tradicionalmente tendem a ser parciais em suas marcações para a equipe da casa, prejudicando, assim, a equipe visitante. Fato que demonstra que o uso da nova tecnologia não eliminou o histórico fenômeno das arbitragens tendenciosas.

Outro fato que me faz levantar questionamentos é a demora na tomada de decisões. Por que a imagem que detecta um lance de impedimento pode levar três minutos ou mais para ser mostrada ao público? Em circunstâncias normais, suponho que um mecanismo semiautomático de leitura de movimentos (que escaneia o campo de jogo e traça linhas posicionais dos corpos dos jogadores) deveria resolver o lance com rapidez. A demora na exibição do resultado final, ainda que por razões técnicas (ou em vista de discussões sobre a jogada), é motivo suficiente para levantar suspeitas. Afinal, a imagem exibida ao público é a mesma vista e utilizada pelos árbitros? Existiram câmeras com resultados divergentes? Se existirem, quais critérios determinaram o seu não uso? A demora ocorreu na análise do lance ou apenas na produção da animação televisiva a ser exibida? 

Em síntese, a questão que mais me incomoda é a seguinte: a imagem que vemos na televisão (e que a torcida vê no telão dos estádios) mostra um recorte da realidade, mas não temos nenhuma noção do processo que levou àquele resultado. Como esporte das multidões, o futebol deveria ser mais transparente, submetendo-se à realização periódica de auditorias independentes por entidades sem vínculo com as federações e a FIFA. O VAR auxilia a melhorar a performance da arbitragem, mas nem por isso torna a decisão obtida pela interpretação humana uma verdade incontestável, isenta de erros, influências ou interesses externos. A postura mais adequada requer a publicidade dos critérios utilizados nas decisões que aplicam as regras do esporte e a realização periódica de auditorias nos equipamentos e processos técnicos aplicados pelos assistentes de vídeo. Aliás, algo que o futebol mundial nunca teve foi uma cultura de prestação de contas, tornando seus negócios uma verdadeira caixa-preta.


Referências:

FÉDÉRATION INTERNATIONALE DE FOOTBALL ASSOCIATION (FIFA). Semi-automated offside technology. Zurique: FIFA, 17 jul. 2023. Disponível em: https://inside.fifa.com/innovation/world-cup-2022/semi-automated-offside-technology. Acesso em: 23 jul. 2026.

FÉDÉRATION INTERNATIONALE DE FOOTBALL ASSOCIATION (FIFA). Video Assistant Referee (VAR). Zurique: FIFA, 8 dez. 2022. Disponível em: https://inside.fifa.com/en/innovation/world-cup-2022/video-assistant-referee-var. Acesso em: 23 jul. 2026.

GADAMER, Hans-Georg. Verdade e método: traços fundamentais de uma hermenêutica filosófica. Tradução de Flávio Paulo Meurer. 10. ed. Petrópolis: Vozes, 2008.

GARRETSEN, Harry; STOKER, Janka I.; ALESSIE, Rob. Who rules in times of the Video Assistant Referee? On referees’ decision making in football. Psychology of Sport and Exercise, v. 81, art. 102941, p. 1–5, 2025. DOI: https://doi.org/10.1016/j.psychsport.2025.102941.

HELD, Jan; CIOPPA, Anthony; GIANCOLA, Silvio; HAMDI, Abdullah; GHANEM, Bernard; VAN DROOGENBROECK, Marc. VARS: Video Assistant Referee System for automated soccer decision making from multiple views. arXiv, 2023. DOI: https://doi.org/10.48550/arXiv.2304.04617. Disponível em: https://arxiv.org/abs/2304.04617. Acesso em: 23 jul. 2026.

IŞIN, Ali; YI, Qing. Does video assistant referee technology change the magnitude and direction of home advantages and referee bias? A proof-of-concept study. BMC Sports Science, Medicine and Rehabilitation, v. 16, art. 21, 2024. DOI: https://doi.org/10.1186/s13102-024-00813-9.

SPITZ, Jochim; WAGEMANS, Johan; MEMMERT, Daniel; WILLIAMS, A. Mark; HELSEN, Werner F. Video assistant referees (VAR): the impact of technology on decision making in association football referees. Journal of Sports Sciences, v. 39, n. 2, p. 147–153, 2021. DOI: https://doi.org/10.1080/02640414.2020.1809163.

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Em artigo, Valcke cobra COL e diz que Fifa não aceitará mais atrasos em obras

Getty Images
Em artigo no site da Fifa, Jerôme Valcke afirmou que a Fifa não irá tolerar mais atrasos na Copa 2014
Presente à inauguração da nova Arena Fonte Nova, ocorrida nesta sexta-feira em Salvador, em evento que contou com a presença da presidenta Dilma Rousseff, Jerôme Valcke, secretário-geral da Fifa, não perdeu a chance de dar uma cutucada nos integrantes do COL (Comitê Organizador Local) da Copa do Mundo 2014 . Em artigo publicado no site da entidade, Valcke advertiu que as próximas semanas serão decisivas para os preparativos da Copa das Confederações , que acontece em junho. E avisou: a Fifa não irá tolerar mais atrasos.
"Estaremos no ponto para a Copa das Confederações. mas nem todos os aspectos operacionais estarão a cem por cento. É impossível ter essa expectativa devido ao tempo de preparação reduzido - na maioria dos casos, de menos de dois meses, em vez dos seis meses programados, por causa das concessões que fizemos às cidades", escreveu Valcke, para em seguida, mostrar que não há mais espaço para atrasos.
"Quero reiterar que algo assim não poderá se repetir para a Copa do Mundo, com o que concordaram o Governo Federal, a FIFA e o COL. O prazo para a entrega dos estádios permanece o mesmo e se encerra em dezembro de 2013. Sobre isso, não faremos nenhuma concessão", disse o cartola da Fifa. "Organizar a Copa é um trabalho infinitamente mais complexo e mais exigente do que organizar a Copa das Confederações, que envolve apenas 25% do número total de jogos. Estamos aguardando mais de meio milhão de visitantes estrangeiros em 2014 e um total de mais de três milhões de espectadores reunidos nos 12 estádios. A escala e a magnitude da Copa do Mundo requerem um período de configuração operacional de pelo menos seis meses", completou o dirigente.
No período de preparação do Brasil para receber a Copa 2014, a relação de Valcke com os dirigentes brasileiros sempre foi conturbada. Há cerca de um ano, inconformado com os diversos atrasos nas obras de estádios e de infraestrutura, o secretário-geral da Fifa chegou a dizer que o Brasil precisava levar um "chute no traseiro". A declaração provocou imediata reação do ministro do Esporte, Aldo Rebelo, que chegou a dizer que não reuniria mais com Valcke por causa da declaração. O cartola francês botou panos quentes e se retratou.
Valcke, porém, comemorou a procura pelos ingressos para a Copa das Confederações. "A grande expectativa já transparece com a promissora venda de ingressos. Com dois terços dos bilhetes já vendidos, a edição de 2013 já bateu o recorde de qualquer outra Copa das Confederações da FIFA neste estágio dos preparativos. Tenho certeza de que os brasileiros oferecerão às seleções participantes e aos milhões de telespectadores um espetáculo inesquecível", disse o dirigente.
Fonte: esporte.ig.com.br

domingo, 18 de novembro de 2012

BRASIL É HEPTA CAMPEÃO MUNDIAL DE FUTSAL

A consagração em 19 segundos

A edição 2012 do Campeonato Mundial de Futsal FIFA terminou neste domingo, em Bangcoc, na Tailândia, com mais um título brasileiro. A seleção nacional sagrou-se campeã com uma vitória de 3 x 2 sobre a equipe da Espanha. Este é o sétimo título mundial alcançado pelo futsal brasileiro (o quinto sob a gerência da competição pela FIFA).

O capitão brasileiro Vinícius recebendo a taça FIFA

Numa partida emocionante, com muita rivalidade e entrega, as seleções de Brasil e Espanha mostraram, na quadra do Bangkok Indoor Stadium Huamark, porque polarizam as atenções na disputa da modalidade. Nesta que foi a quarta decisão envolvendo as duas equipes (o Brasil tem a vantagem de três vitórias em finais contra uma da Espanha), o que se viu foi o domínio tático e a posse de bola com a Espanha por mais tempo durante o primeiro tempo. Apesar disso, o Brasil, que marcava mais recuado e esperava a falha dos espanhóis, soube atuar de forma equilibrada e inteligente, suportando a pressão espanhola na primeira etapa.

Ainda assim, o Brasil saiu na frente na partida com um gol de Neto, aos 24 minutos do segunto tempo, num belo chute no canto esquerdo do goleiro Juanjo. Após o gol a equipe da Espanha sentiu o golpe, mas soube equilibrar as ações e logo voltou à carga, lançando-se ao ataque com muito perigo à defensiva brasileira. A pressão deu certo e os espanhóis conseguiram a virada com gols de Torras, após rebote do goleiro, e Aicardo, respectivamente aos 29 e aos 30 minutos da etapa final do jogo.

Festa dos brasileiros na Tailândia

Num lance de ousadia e sorte, o treinador brasileiro lançou mão do recurso do goleiro linha, trazendo também de volta à quadra os jogadores Vinícius e Falcão, que, honrando a condição de melhor jogador do mundo na modalidade, foi novamente decisivo, fazendo a diferença ao acertar um chute fatal no ângulo direito do goleiro espanhol, empatando  partida. A partir daí o jogo tornou-se tenso, com lances de grande emoção nos ataques sempre perigosos da equipe da Espanha e nos contra-ataques do Brasil.

Já na prorrogação, a 19 segundos do término da partida, que levaria a decisão aos pênaltis, o atacante Neto, eleito o melhor jogador do Mundial (premiado com a bola de Ouro do evento), em lance individual de pura habilidade, livrou-se da marcação adversária e carregou a bola pela ala esquerda até desferir um chutaço no canto do goleiro da Espanha, decretando assim o placar final do jogo, consagrando o Brasil como o melhor futsal do mundo. 



Mais uma vez a supremacia do futsal brasileiro, sete vezes campeão, se fez valer em quadras internacionais. Parabéns, Brasil! Parabéns, Falcão, pela sua magia! Parabéns, campeões!

Brasil: Campeão do Mundial FIFA de Futsal 2012

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Fifa descarta gol épico de Ibra em votação: "fica para 2013"

 Foto:   / Getty Images
Gol espetacular de Ibrahimovic só poderá concorrer como mais bonito de 2013
Foto: Getty Images

O lance espetacular de Zlatan Ibrahimovic na vitória da Suécia por 4 a 2 sobre a Inglaterra nesta quarta-feira não será incluído pela Fifa no Prêmio Ferenc Puskas de 2012, que elege o gol mais bonito da temporada. Como a votação popular para a escolha já havia sido iniciado quando o astro do Paris Saint-Germain anotou o quarto gol diante dos britânicos, a entidade máxima do futebol mundial informou que poderá somente entrar na nomeação para o ano que vem.
“A votação pública para escolher o gol mais bonito de 2012 havia sido iniciada às 15h (horário europeu, ou 12h de Brasília) do dia 14 de novembro. O gol de Zlatan Ibrahimovic foi marcado depois desse horário”, esclareceu a Fifa, em comunicado enviado ao Terra.
O inacreditável gol de bicicleta marcado de fora da área pelo sueco no amistoso contra a Inglaterra saiu aproximadamente cinco horas depois do início da votação da Fifa, realizada no site oficial da entidade. Muitos votos já haviam sido feitos, o que inviabilizou a nomeação extraordinária da jogada de Ibrahimovic.
“Dado o número de votos que já haviam sido computados, o comitê do Prêmio Puskas não poderia, a essa altura, incluir um nome à lista dos dez gols indicados desta temporada”, acrescentou a Fifa, que, por outro lado, admitiu nomear a jogada na edição seguinte da premiação.
“O comitê de seleção pode ser nomeado para decidir se incluirá o gol de Zlatan Ibrahimovic como uma nominação especial para 2013”, concluiu a Fifa, que havia informado na manhã de quarta os dez indicados para o prêmio desta temporada. O atacante brasileiro Neymar concorre ao bi, uma vez que um de seus gols na vitória por 3 a 1 sobre o Internacional, pela fase de grupos da Copa Libertadores da América, ficou entre os finalistas.
Fonte: Portal Terra

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Novos documentos comprovam que Havelange e Teixeira receberam suborno na Fifa

  • Ana Carolina Fernandes/ Folhapress
    Ricardo Teixeira e João Havelange em evento no Rio de Janeiro (01/02/2005)
    Ricardo Teixeira e João Havelange em evento no Rio de Janeiro (01/02/2005)
Agora está confirmado: Ricardo Teixeira usou a empresa Sanud junto com João Havelange para receber comissões em nome da Fifa e não repassou os valores aos cofres da entidade. Os valores finais ainda não foram fechados pela Justiça da Suíça, mas os subornos podem ter passado de US$ 40 milhões, entre 1978 e 2000. O escândalo está sendo investigado pelo Parlamento Europeu, que divulgou um relatório parcial esta semana.

NÚMEROS DO ESCÂNDALO

  • 1974-1998

    Duração do mandato de Havelange como presidente da Fifa
  • 1994-2012

    Período no qual Teixeira foi membro do comitê executivo da Fifa
  • US$ 40 milhões

    Valor do suborno recebido pelos dois dirigentes entre 1978 e 2000
  • 1982-2001

    Anos de fundação e falência da empresa de marketing esportivo ISL
  • 2001

    Ano no qual foi realizada a CPI do Futebol, que investigou Teixeira
    Parte dessas comissões milionárias foram recebidas pelos brasileiros entre 1989 e 1998, ano em que Havelange se afastou da presidência da Federação, depois de cumprir mandatos seguidos desde 1974.
    Além da Sanud, empresa investigada na CPI do Futebol em 2001 (e que tem o irmão de Teixeira, Guilherme, como procurador, no Brasil) os dois brasileiros usaram também o fundo  Renford Investiments, e a empresa Garantie JH para coletar propinas na venda de direitos de transmissão dos jogos das Copas do Mundo, “para um país da América do Sul”.
    As informações foram amplamente investigadas pelo promotor suíço Thomas Hildebrand que abriu ação criminal contra os dois brasileiros, mantendo seus nomes  sob sigilo judicial.
    Mas alguns documentos exclusivos obtidos porUOL Esporte,  no ano passado, permitem cruzar as datas dos depósitos efetuados em várias contas de empresas de fachada, usadas no maior escândalo de corrupção esportiva, que chega a 122,6 milhões de francos suíços ou cerca de US$ 160 milhões no total.
    Parte desse dinheiro (mais de US$ 40 milhões) ficou nas contas dos dois brasileiros que estavam por trás de um grupo de empresas listadas pela promotoria suíça.
    Mesmo mantendo o sigilo judicial imposto ao processo criminal que ainda tramita na Suíça, o promotor Hildbrand deu detalhes sobre as operações das duas pessoas denunciadas no recebimento de propina. Essas pessoas foram codificadas pelas letras H (Teixeira) e E (Havelange).

    ADVOGADOS NÃO LOCALIZADOS

    A reportagem do UOL Esporte tentou localizar os advogados de Ricardo Teixeira e Guilherme Teixeira, mas não obteve o sucesso no contato com os defensores da dupla.
    Na Suíça, corrupção privada só é enquadrada em crime quando envolve suborno em contratos comerciais. “Por isso as pessoas H e E foram incriminadas”, explicou o promotor usando as duas letras para proteger a identidade dos brasileiros.
    Segundo Hildbrand, “os dois, E e H, tinham participação financeira na companhia G (Sanud). Detalhes das operações individuais podem ser conhecidos no quadro abaixo”.
    Por esse quadro divulgado pelo Comitê Europeu de Cultura, Ciência, Educação e Mídia, que também investiga o maior escândalo do futebol mundial, 32 depósitos foram feitos entre 10 de agosto de 1992 até 4 de maio de 2000, na conta da Sanud (empresa G).
    O Parlamento Europeu divulgou nesta semana parte do conteúdo do processo que investiga o escândalo. Para preservar o sigilo judicial, o promotor apenas listou os depósitos feitos e a Comissão Europeia excluiu os nomes das empresas denunciadas.

    Apesar da coincidência das letras JH, até o relatório divulgado pelo Parlamento Europeu não se poderia afirmar que a Garantie era operada por João Havelange. A confirmação foi possível porque dados sigilosos do processo obtidos pelo UOL Esportetrazem a lista dos depósitos associada aos nomes das empresas beneficiárias. O roteiro de datas e valores divulgados pelos comissários europeus foi decisivo para o cruzamento dos nomes das empresas.Porém, cruzando as informações divulgadas esta semana pelo Parlamento Europeu com um dossiê de lista de empresas beneficiadas a que o UOL Esporte teve acesso, ano passado, foi possível checar cada depósito realizado com os nomes das empresas beneficiadas: A Sanud  e a Garantie JH receberam entre 1992 e 1997, 22 repasses financeiros, totalizando US$ 10 milhões. A Garantie JH recebeu em um único depósito de 3 de março de 1997,  US$ 1 milhão. Os outros dez repasses foram feitos para a conta da Renford Investiments Ltd.

    A dinheirama manipulada pela Fifa passava antes pelos cofres da International Sports Leisure (ISL), empresa de marketing esportivo montada por Havelange em associação com Adidas e a japonesa Dentsu, nos anos 80. A ISL tinha 50% de capital japonês e acabou quebrando em 2001.
    A falência da ISL chamou a atenção do Ministério Público e uma investigação criminal foi aberta na Suíça para apurar os motivos da falta de caixa. Um dos executivos da empresa, Jean Marie Weber, abriu o jogo e contou como o esquema funcionava.
    Há ainda outro detalhe importante revelado pelo promotor Hildbrand e que ajudou a confirmar os nomes dos brasileiros: “alguns depósitos foram feitos em contas dos filhos do suspeito H (Teixeira) e um dos contratos assinados pela Fifa leva a assinatura do suspeito E, em 97 e 98”.
    Está claro também de onde os dois recebiam comissão pela venda exclusiva dos direitos de transmissão do jogos: “O pagamento foi feito pela ISL e uma de suas subsidiárias a ISMM Investiments, que recontratava empresas para vender direitos de televisão e rádio a um país da América do Sul”. Os dois únicos interessados em direitos de televisão na América do Sul e que eram oficiais da Fifa, e que operavam a Sanud e a Garantie JH, são Ricardo Teixeira e João Havelange.
    “Os pagamentos foram feitos direta ou indiretamente aos dois (H e E); ambos eram executivos da Fifa e um deles ainda é”, revelou o promotor aos parlamentares europeus em depoimento dado em  março de 2012.
    Fonte: Copadomundo.uol.com.br

    sábado, 24 de março de 2012

    Fifa insistirá na divulgação de documentos contra Teixeira


     
    Ricardo Teixeira deixou o comando da CBF e o cargo de membro do Comitê Executivo da Fifa, mas seu pesadelo em relação às suspeitas de corrupção que o envolvem não terminam. 
    De acordo com publicação deste sábado do jornal O Estado de S. Paulo, o conselheiro da Fifa para o combate à corrupção, Mark Pieth, afirmou nesta sexta-feira querer a publicação dos documentos que mostrariam como Teixeira e seu ex-sogro, João Havelange, receberam propinas da ISL. 
    A renúncia do cartola impede que haja qualquer tipo de processo contra o brasileiro dentro da entidade máxima do futebol. Mas Pieth entende que pelo menos deve haver uma iniciativa de transparência, expondo os envolvidos e publicando o conteúdo desses documentos.
    Segundo a publicação, Teixeira conseguiu que o Tribunal Superior da Suíça mantivesse os documentos em sigilo. Nada pode ser revelado até o final do processo, que ainda pode levar vários meses. 
    Nesta sexta-feira, porém, em declarações ao jornalista Graham Dunbar, Mark Pieth afirmou que não abandonará o caso. No entanto, o presidente da Fifa, Joseph Blatter, que já viu o documento, teria alegado motivos legais - a decisão do tribunal suíço - para impedir que o especialista tivesse acesso ao conteúdo do processo.
    Fonte: Jornal do Brasil

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