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Me chamo Rogério Rocha. Sou maranhense da cidade de São Luís, mas na verdade me sinto um cidadão do mundo. Sou pós-graduado em Direito Constitucional (Universidade Anhanguera-Uniderp-LFG), pós-graduado em Ética (IESMA), Graduado em Filosofia e Direito (UFMA), mestrando em Criminologia na Universidade Fernando Pessoa (Porto/Portugal). Atualmente sou Servidor do Poder Judiciário do meu estado. Exerci a advocacia durante 6 anos de minha vida,atuando nas áreas de Direito Civil (Família), Direito do Trabalho e do Consumidor. Fui professor do CEFET- MA (atual IFMA) por 2 anos, período em que lecionei tanto para o ensino médio quanto para os alunos de áreas técnicas as disciplinas de Sociologia, Filosofia e Metodologia do Trabalho Científico. Escrevo poesias desde os 12 anos de idade. Homem livre e de bons costumes, amante da música, da arte, da história e de viagens. Obs.: Postgraduate in Constitutional Law (University Anhanguera-Uniderp-LFG), Postgraduate in Ethics (IESM), graduated in Philosophy and Law (College); Public Server at Judiciary Power, Teacher, Poet.

domingo, 30 de novembro de 2014

A arte de conversar

Les Plaisirs du bal, Jean-Antoine Watteau
Alcir Pécora

A ideia da conversação como uma parte decisiva da vida civil foi desenvolvida por três importantes autores italianos do século 16: Baldassare Castiglione (1478-1529); Giovanni Della Casa (1503-1556) e Stefano Guazzo (1530-1593). Em pouco tempo, tais considerações avançaram pelas principais cortes europeias, delas recebendo diferentes traduções e emulações.

Nos salões parisienses, em pleno período de rebelião dos grandes senhores contra a política de centralização monárquica levada a cabo pelos cardeais Richelieu e Mazarino, tais ideias foram aclimatadas de maneira interessante. Sob o reinado de Luís XIV, dois nomes, pouco conhecidos atualmente fora da França, destacaram-se nesse processo.

O primeiro deles é o de Antoine Gombaud, Chevalier de Méré (1607-1684). No De la conversation, de 1677, define a conversação como qualquer diálogo entre pessoas que se encontram casualmente ou não, com o propósito principal de diversão. Portanto, opõe conversa a conselho ou conferência, isto é, reuniões de negócios, onde não cabem gracejos e brincadeiras. Uma boa conversa deve ser distinta; agradar aos que escutam, pois apenas se estima o que contribui para a felicidade própria; suscitar movimentos moderados da alma, sem tristeza ou riso excessivos; usar argumentos de fácil inteligência; ter maneiras diversificadas; dar-se em boa companhia; possuir uma eloquência própria, mais próxima de pequenos retratos sem relação entre si, do que de grandes quadros.

Além disso, para Gombaud, a boa conversa supõe elocução fluente, sem grande ornamentação; supõe também simplicidade, que apenas existe no ar nobre e natural, oposto ao excesso de estudo, e ainda conformidade, isto é, uma acomodação do discurso às pessoas que se deseja conquistar. Convém sempre um humor afável e complacente com os amigos, além de um emprego comedido de provérbios, equívocos e agudezas, pois perdem a graça quando repetidos ou traduzidos para estrangeiros e visitantes.

Gombaud aconselha adotar um ritmo de “pressa lenta” na conversa, que nunca demonstre afã de impressionar; com esse mesmo propósito, também cabe evitar o tom sentencioso, de gosto vulgar. Realça ainda o papel da desenvoltura, para que não pareça que apenas se consegue falar bem mediante muito esforço, e a importância de evitar o didatismo livresco nas conversas. Outro aviso importante é do de temperar os elogios para que a fala não ganhe ares de adulação.

Para o autor, a regra mais decisiva da conversação é a de perceber o que cai ou assenta melhor na conversa, o que implica ser capaz de intuir sentimentos e pensamentos dos que escutam, de modo a jamais embaraçá-los. Ou seja, um conversador hábil deve saber o que a matéria e ocasião pedem, o que talvez se possa traduzir pelo critério mais geral de “senso de conveniência”.

O segundo nome que gostaria de mencionar é o de Madeleine de Scudéry (1607-1701), cujas séries de Conversations, escritas entre 1680 e 1688, recebem grande atenção de seus contemporâneos. Para ela, a utilidade e o prazer da conversação residem no estabelecimento de laços entre os homens. A isso se opõem vários maus hábitos correntes, como conversar sobre cuidados domésticos, sobre criados ou filhos, e ainda mais sobre roupas e o quanto elas custaram. Tampouco julga adequado falar cifradamente de intrigas; discutir genealogia e bens de família; falar da própria profissão, que em geral é maçante e só interessa aos que fazem o mesmo; e, de modo geral, entrar em assuntos graves, nos quais não cabe jovialidade. Também desaconselha reunião exclusiva de mulheres, sem a presença de ao menos um homem, mesmo que seja tolo, pois, a sós, tendem a esfriar o ambiente com bagatelas.

Madame de Scudéry ainda condena risos excessivos; narrações de casos funestos bem como de histórias do passado para gente que não o tenha vivido; empregar-se a falar de novidades locais, sem interesse para o visitante; falar baixinho, como se fosse segredo, o que geralmente não vai além de segredar falsas novidades. Tampouco julga adequado fantasiar grandes novidades ou falar de tudo seguidamente, para demonstrar espírito. É péssimo o hábito de falar aprofundadamente de um só assunto, que nunca se deixa mudar.

Para ela, a regra mais geral a adotar-se para uma conversação é a de falar livre e diversamente, segundo a ocasião, os lugares onde se está e as pessoas com quem se fala. O corolário dessa regra de ouro é que um grande conversador, dotado de espírito de polidez, reúne em si três talentos principais: o de desviar a direção usual das conversas; um espírito alegre e um sentido de conveniência sem apego a regras rígidas.

Salvo engano, portanto, a leitura dessas antigualhas ainda pode, senão instruir, divertir um bocado a quem se aventurar nelas.

Fonte: http://revistacult.uol.com.br/home/2014/11/a-arte-de-conversar/

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